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Chicote e o cavalo

 

 

 

No jogo do pato (esporte nacional argentino), no polo, na cavalhada, vaquejada e na pega de boi nos sertões brasileiros, por motivos óbvios, não se usa o chicote: as mãos devem ficar disponíveis para outras ações e mesmo assim os cavalos, por treinamento, sabem o que fazer. No entanto, em uma simples cavalgada e principalmente depois de algumas doses... (nós cavaleiros quando bebemos...) Tomem chicotes nos bichos! E os animais de carroças? Coitados como apanham e são flagelados! Na minha região sertaneja tenho dó de como os cavalos são esporeados, às vezes até sangrar. Açoitados, são a todo instante. Cavaleiros não sabem, ou não querem conhecer e utilizar os comandos sonoros (voz e sinal entoado e estalar da língua) ou mesmo os simples e eficientes comandos de assento e pernas. Esporas e chicotes abrutalhados são símbolos de rudeza, ignorância e falta de conhecimento equestre. No sertão, muitas vezes é prova de autoridade e poder sobre o animal.

Ainda percebo o uso moderado dos chicotes nos enduros, saltos e nas corridas de cavalos. Se nós recordarmos, nas lutas medievais os combatentes montados usavam nas mãos armas para destruir seus inimigos, chicotes não! Nos filmes de cowboy americano não chega à memória os apaches ou soldados da cavalaria utilizando-se deste instrumento de castigo. Não implica a cor do cavalo branco de Napoleão, importa que nem ele e nem seus guerreiros montados usavam chicotes em suas montarias.

O General romano Caio Mário, no último século A.C. em campanha militar na África, conta ter avistado cavaleiros númidas (nômades do deserto) “pilotando” seus cavalos sem sela e sem embocadura. E aqui, em pleno século XXI, alguns montadores, criadores e usuários utilizam chicotes nos pulsos castigando seus cavalos, muitas vezes sem motivo. Infelizmente, ainda existe situação pior, pois no mundo islâmico, alguns países utilizam nos humanos para os que não cumprem princípios contidos no alcorão.

Sou sim! Contra o uso do chicote e espora como instrumento de castigo e dor. Mas, em minha montaria estou sempre com eles, pois para um bom cavaleiro contemporâneo chega ser folclórico e cultural estes instrumentos. A espora aplico raramente, assim mesmo como forma de comunicação. Como disse o General L’Hotte: o bom cavalo atende ao simples contato frio do metal. Já o chicote, quando necessário, recomendo de material rígido e que seja usado com um simples toque na garupa. Já Helmult Grube, professor de equitação clássica, recomenda seu uso em lugares que não têm músculos (espádua ou na lateral na frente da batata da perna). Defendo uso do chicote segurando próximo à coxa e atrás do cavaleiro, o toque tem que ser breve e leve. Os chicotes ou chibatas flexíveis exigem movimento alto, circular, contrai o cavaleiro e também não permitem os toques leves. Ainda mais, condicionam o cavalo a se contrair bem antes do momento de serem tocados. Objetivando melhorar a entrada dos posteriores, apresenta certo sentido o uso da chibata flexível para chicotear na garupa. Discutível.

O mais importante de tudo é conhecer seu cavalo. Daí deriva todo processo de equitação interagida. Em temperamento, temos o cavalo linfático (frio, sem energia), o de sangue ativo, (funcional e ligado) hiperativo (sangue quente, demasiado ativo e demonstração de sempre avançar) e o de má índole. O de má índole pode ser adquirido ou de sangue. Este último dê descarte. Conhecendo o temperamento e a inteligência do seu cavalo, você vai percebendo como e quando agir com os comunicadores. (É assim que entendo o uso do chicote e esporas, instrumento de comunicação igualmente a batuta para o maestro).

Quero enfatizar para cavaleiros e amazonas com chicote e espora que o mais importante é “aprender” a não usá-los. O chicote e as esporas servem para corrigir e alertar o cavalo, sem violência e de maneira tecnicamente correta, para que possam ajudar no entendimento entre o conjunto, afirma Grube. Como costumo dizer: os cavalos são loucos para nos obedecer, nós é que erramos em não conseguirmos nos comunicar com eles.

Dicas para cavalos com traumas de esporas e chicotes. Se for de esporas, simplesmente não as use. Utilize-se de pressão de panturrilhas e calcanhar. Cavalo com medo de chicote é muito simples: nos passeios e cavalgadas bata sempre com o chicote em uma das perneiras, faça isso repetidas vezes, depois alterne para a outra perneiras. Bata alternativamente de um lado e de outro. Por último, faça todo gesto pertinente que vai chicotear a garupa, mas não toque nela. O chicote deve fazer o movimento circular e alto, mas passando no vazio. Em poucos dias estará seu cavalo recondicionado e sem medo de chicote.

Se todos conhecessem os últimos estudos sobre a neurologia do cavalo o mundo equestre seria outro. Vejamos o que afirma o Instituto Homo-Caballus: “a pele é o maior órgão do cavalo. É um terreno minado, cheio de sensores nervosos que exploram o tipo de terreno por onde passamos — ela ajuda a sinalizar a necessidade do afastamento de coisas perigosas. O cavalo tem na sua pele um órgão muito útil. A farta distribuição de sensores nervosos distribuídos por toda a superfície e conectados ao cérebro, criam uma hipersensibilidade que permite ao animal detectar o pousar de uma mosca e espantá-la apenas com uma vibração da pele. É sobre este órgão supersensível que atuamos com esporas e chicotes”.

Ah...Como gostaria que pelas minhas bandas de Santana do Ipanema e Maravilha (Alagoas), e por estes sertões afora os vaqueiros e quebradores de cavalos mudassem seus modos violentos de tratarem seus animais. Vamos tentar mudar...

“No século 21, a equitação vai passar pela maior mudança filosófica e tecnológica desde que a Revolução Biológica uniu Homo e Caballus, em um só ser galopante”. Instituto H. C.

Como disse Gabby Hayes, em certa ocasião: “para o mau equitador até o cavalo atrapalha”.

Vamos tentar... Vamos tentando!

Mozart Brandao Barros

Professor de Ed. Física, usuário e amante de cavalos

 

 

 

 

 

 

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