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Principais Causas de Mortalidade de Potros Neonatos

 

A produção de Potros saudáveis e que serão o futuro do plantel é o objetivo final da Criação de Cavalos. Mas para que eles cheguem a atingir a maturidade produtiva e reprodutiva é preciso que superem as dificuldades do período mais crítico de suas vidas, o período neonatal, que vai desde o momento em que o potro é expulso para o ambiente externo até completar de 30 a 60 dias.

 

Os potros tem uma constituição orgânica extremamente frágil e sensível, com quase 80% do seu peso em água corpórea. Além disso, eles não possuem atividade imunológica significativa já que nascem sem defesas específicas contra agentes infecciosos. Isso ocorre pela impossibilidade de transmissão de anticorpos maternos para o feto durante a gestação devido ao tipo de placenta da égua. Devemos assim entender que o potro neonato não possui uma grande capacidade de se defender das agressões de natureza física, mecânicas e climáticas e que ele é especialmente sensível às agressões de caráter infeccioso.


Devem ser observados os parâmetros físicos considerados normais para potros dessa idade, além das questões ambientais, sanitárias e de manejo até que ele atinja a idade de 3 a 4 meses quando sua constituição física já se encontra mais desenvolvida e os protocolos vacinais e o controle de parasitas deverão ser iniciados.


Tabela com valores para os parâmetros que de Potros no período do pós-parto imediato

 

Decúbito Esternal (min)

Reflexo de Sucção (min)

Tempo até
Levantar(hrs)

Tempo até Mamar(hrs)

5

5-10

0-1

0-2

5-10

10-15

1-2

2-4

>10

>15

>2

>4

 

 

Mas a grande questão é: “Quais são as causas de mortalidade dos Potros Neonatos?”


A saúde do Potro é fator imperativo para o futuro Cavalo ou Égua. Assim, o investimento em Assistência Médico Veterinária especializada é fundamental para o sucesso da criação. Porém,tão importante quanto o atendimento aos potros enfermos, é realização de necropsias para a determinação da causa da morte do animal, pois só com esses dados em mãos as medidas profiláticase de vigilância sanitária poderão ser adotadas para que novas ocorrências não venham matar mais produtos.

 

Podemos dividir basicamente as causas de morte em Potros Neonatos em causas infecciosas e não infecciosas. Também podemos classificá-las como congênitas ou adquiridas.


Vamos focar nas enfermidades adquiridas, infecciosas ou não, pois essas enfermidades representam a maior parte das ocorrências e estão mais relacionadas com falhas no manejo e na lida com os potros recém-nascidos. Além disso, essas enfermidades são as que possuem chances maiores de sucesso no tratamento, desde que o atendimento veterinário, o diagnóstico e a instituição da terapia sejam iniciados o mais precocemente possível.


As causas infecciosas são aquelas em que há o envolvimento de microrganismos, principalmente vírus e bactérias. E as causas não infecciosas são as de cunho traumático, imunológico, inflamatório, cólicas, entre outras. Porém, vale lembrar que uma enfermidade não infecciosa, pode evoluir para uma condição infecciosa de forma secundária.


Para um processo infeccioso acometer um potro neonato é preciso que haja condições favoráveis provocando assim os mais variados quadros clínicos nesse animal.


Dentre essas condições favoráveis destaca-se a Falha na Transferência de Imunidade Passiva (FTIP), que nada mais é que um comprometimento na administração de anticorpos do colostro ao potro em quantidade e qualidade suficientes e em tempo de serem absorvidos. Podemos citar também as falhas do manejo e dos cuidados gerais do potro, especialmente com o coto umbilical, além das condições sanitárias, ambientais e climáticas desfavoráveis como fatores agravantes para o desenvolvimento de infecções neonatais em potros.


É sempre importante reforçar que os potros neonatos têm como característica comum a rápida evolução e piora dos seus quadros clínicos, independente da enfermidade original, não sendo raro que num período tão curto como 60 a 90 minutos um potro que de início parecia saudável poderá entrar num quadro de choque e vir a óbito. Outro aspecto a ser considerado é que muitas vezes um potro já pode estar doente, mas não manifestar sinais evidentes de sua enfermidade até que essa já tenha se agravado.

 

A) Causas Infecciosas:


A.1) Pneumonias.


A infecção do aparelho respiratório inferior é uma causa importante de mortalidade de potros, caracterizado por dispneia (respiração ofegante), tosse, corrimento nasal, letargia, depressão, febre e falta de apetite. Existe uma variedade de vírus e bactérias que podem ser responsáveis por essa enfermidade. A pneumonia pelo R.equié considerada uma das mais frequentes causas de morte em potros entre 2 e 10 meses de idade em todo o Mundo.


A.2)Diarreias.


A Diarreia não é uma enfermidade em si. Ela é a manifestação de alguma alteração específica do sistema gastroentérico caracterizado pelo aumento da frequência de defecação e alteração no aspecto e volume das fezes. As diarreiaspodem ser benignas e autolimitantes (que curam espontaneamente) como nos casos da “Diarreia do Cio do Potro”, ou podem se agravar e causar a morte do potro. Tais diarreias são oriundas de infecções graves dos segmentos intestinais, principalmente Colites (inflamação dos Cólons), por agentes virais (Rotavirus) e bacterianos (Clostridium e Salmonella).

 

A.3)Onfaloflebites.


Essas são as infecções do coto umbilical. Trata-se de uma lesão primária que se dá por contaminação por sujidades, miíases (bicheiras) e falta de manejo sanitário do umbigo do Potro Neonato. Essa lesão, em conjunto com a via oral e respiratória, pode ser considerada como a principal “porta de entrada” para micróbios que localmente causam a infecção umbilical. Pode originar as pneumonias, diarreias, poliartrites e, enfim, a septicemia (infecção generalizada).


Todo Potro Neonato deve ser submetido aos cuidados básicos de sanidade do seu umbigo. Procedimentos como ligadura, corte e desinfecção do coto umbilical podem ser feitos por leigos treinados, mas o ideal é que o Médico Veterinário é que realize tais procedimentos, pois ele poderá identificar situações adversas que um leigo não será capaz de notar.


A.4)Poliartrites.


As infecções das articulações são problemas graves e comuns em Potros Neonatos no nosso País. Tais infecções se caracterizam pelo aumento de volume e da temperatura local, dor à palpação e manqueira (claudicação) que pode evoluir até o ponto onde o potro não apoia o(s) membro(s) afetado(s), podendo permanecer em decúbito (deitado) permanente.


A.5) Septicemia Neonatal.


Essa é a maior causa de mortalidade de Potros Neonatos em todo o Mundo. A septicemiaé resultado da generalização de quaisquer infecções primariamente instaladas em diferentes órgãos e tecidos. Assim, todas as causas de mortalidade acima descritas, na verdade, levam o potro à morte através de um caminho comum que é a septicemia neonatal dos potros.


Em alguns casos os sinais de septicemia evoluem tão rapidamente que somente através da observação do potro não é possível determinar a origem da infecção. Tais sinais são depressão, apatia, falta de apetite, respiração ofegante, desidratação, mucosas que variam sua coloração de avermelhadas a azuladas, convulsões e morte.


B) Causas Não-Infecciosas:


As causas não infecciosas normalmente são consideradas como menos importantes e menos graves, porém não podem ser subestimadas, uma vez que também possuem um grande potencial para causar a mortalidade de Potros Neonatos.

 

Tal fato se torna mais claro quando entendemos que uma enfermidade inicialmente não infecciosa em Potros Neonatos pode evoluir para uma condição séptica por microrganismos oportunistas que “se aproveitam” da condição de vulnerabilidade natural do potro agravada pela enfermidade inicial, o que aumenta a possibilidade da instalação de um processo infecciosoe, por conseguinte, de septicemia neonatal.


B.1)Isoeritrólise Neonatal Equina.


Os Equinos possuem um sistema de tipos sanguíneos com uma variedade mais ampla de tipos e subtipos do que os humanos. Dessa forma, durante a gestação, há a possibilidade de uma égua possuir incompatibilidade sanguínea com o potro em seu ventre. Como não há a passagem de anticorpos maternos para o potro durante a gestação, essa incompatibilidade passa despercebida e só vai ser notada quando o potro ingerir o colostro da sua mãe rico em anticorpos que atacam suas células vermelhas sanguíneas.


Devemos lembrar que a doença só se instala normalmente na segunda ou terceira gestação incompatível o que dificulta ainda mais o seu diagnóstico e prevenção. Esse potro nasce normalmente e possui todas as características de um animal sadio. Ele se levanta e mama normalmente. Então, dependendo da quantidade de anticorpos incompatíveis ingeridos, cerca de 8 a 12 horas após a mamada do colostro o potro começa a manifestar os sinais da doença como fraqueza, apatia e respiração ofegante. Esses são sinais pouco específicos da doença. Mas a presença de mucosas aparentes amareladas (icterícia) permite suspeitar da INE.


Há tratamento para essa enfermidade, mas ele deve ser iniciado o mais precocemente possível e nunca deve ser descartada a evolução para um quadro infeccioso oportunista.

 

A melhor forma de prevenir essa doença seria a realização de testes de compatibilidade sanguínea entre o Garanhão e a Égua antes da utilização desse cruzamento, porém essa ainda é uma realidade distante na maioria dos criatórios. Assim, a principal medida preventiva é a identificação de éguas com histórico de gerar potros que desenvolveram a INE e assim impedir que os novos potros oriundos dessa égua tenham acesso ao colostro através de aleitamento natural. Tais potros deverão ser impedidos de mamar em suas mães e deverão ter acesso ao colostro através de banco de colostro de qualidade presente na propriedade.


B.2) Traumatismos.


Quando estabelecemos uma relação entre traumas e mortalidade de Potros Neonatos estamos nos referindo a traumas importantes e graves, normalmente oriundos de acidentes e eventos desastrosos


Piquetes e currais com muitos animais de diferentes idades confinados, presença de cercas de arame farpado ou liso, pastos “sujos”, acesso acidental de garanhões aos locais onde os potros são mantidos e brutalidade na lida são fatores que podem ser apontados como principais causas de traumatismos em Potros Neonatos.


As repercussões clínicas e complicações dos traumas podem variar bastante. Claudicações temporárias ou permanentes, infecções locais e generalizadas, hemorragias, miíases, laminite, ruptura de bexiga, debilidade geral e outras tantas lesões e complicações são consequências dos traumas, inclusive a morte natural ou indicação de eutanásia.


B.3) Retenção de Mecônio.


A Retenção do Mecônio (primeiras fezes expelidas pelo neonato) é a causa mais comum de desconforto abdominal (cólica) em Potros Neonatos. O mecônio é normalmente liberado nas primeiras 12 horas de vida e essa excreção é muito dependente da ingestão do colostro. O Potro que retém o mecônio manifesta desconforto abdominal caracterizado por inquietação, escoiceamento, deitar e levantar constante e rolamento. Devemos lembrar que essas manifestações são inespecíficas e que outras causas de cólica em neonatos devem ser verificadas pelo Médico Veterinário.


A demora na resolução do problema pode levar ao óbito da mesma forma que acontece com os cavalos adultos acometidos pela Síndrome Cólica Equina.


Sempre lembrando que essas são apenas as mais comuns dentre as várias causas de mortalidade de potros neonatos e que o objetivo desse artigo foi alertar os proprietários e criadores de cavalos da grande necessidade de haver uma constante monitorização clínica desses animais, além de convocar os colegas Médicos Veterinários a insistir em buscar o diagnóstico etiológico dos casos fatais, mesmo que nos exames post mortem, e que façam a documentação e estatística dos casos atendidos.


Deve ter ficado claro ao leitor a preocupação nesse artigo de não haver descrições em momento algum de “dicas” de tratamentos. A prescrição de tratamento sem a devida avaliação clínica do paciente é uma irresponsabilidade sem tamanho de qualquer profissional da área de saúde.


Qualquer equino enfermo, seja um cavalo, uma égua ou um potro, deve ser avaliado e tratado exclusivamente por um Médico Veterinário Hipiatra (especialista em eqüídeos).

 

Só esse profissional será capaz de orientar, prevenir, diagnosticar e tratar um Potro Neonato.

 

Essa sim é a maior e única “dica” que podemos deixar.


Domingos Cachineiro Rodrigues Dias
Professor Assistente do Departamento de Patologia e
Clínicas da Escola de Medicina Veterinária e Zootecnia da
Universidade Federal da Bahia (EMEVZ – UFBA).
Contato: dcrdias@ufba.br

 

 

 

 

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