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CASQUEAMENTO E FERRAGEAMENTO

 

 

O casqueamento corretivo deve se iniciar em animais de 2 meses de idade que possuam desvios considerados mais severos, mas normalmente, em animais de desvios considerados normais iniciamos aos 4 (quatro) meses de idade. Lembrando que só conseguimos realizar as correções de casco até os 12 meses de idade devido ao fechamento das cartilagens que antes eram macias e podíamos “moldar” para corrigirmos os defeitos de aprumos.


O casqueamento em potros não se deve tirar muito material, deve-se retirar material aos poucos para ele não sentir dor no local. A ranilha não deve ser cortada devemos apenas limpar o canal ao redor dela, ela serve como amortecedor, e quando o animal caminha ela serve como uma bomba que leva sangue a todo casco fazendo com que este casco cresça corretamente deixando-o sempre bem vascularizado. Na sola devemos tirar apenas a parte morta (bem superficial). Na parede do casco devemos apenas nivelar os cascos para que não ocorram lesões no casco nem nas articulações. O desnivelamento para correção de aprumos deve ser feito apenas por profissionais.


Após os 12 meses de idade (1 ano) devemos respeitar os desvios de aprumos somente nivelando os cascos, já que qualquer tentativa de correção nesta fase forçará muito a bolsa que contém o liquido sinovial (que serve como lubrificante das articulações) e esta poderá se romper levando a lesões sérias nas articulações, podendo até impedir a funcionalidade do animal.


Vejam na página http://cavalocompleto.com.sapo.pt/w006.htm aqui contém informações de aprumos que devem ajudar bastante na hora de casquear seu animal.

 

Em animais adultos devemos fazer o casqueamento (nivelamento do casco) a cada 30 dias para obtermos melhores resultados. Através do casqueamento podemos também melhorar o desempenho dos animais de pista. Por exemplo, um animal de marcha mais dura (de apoios diagonais) podemos tirar mais casco na região dos talões (parte de trás dos cascos) e deixar um pouco mais na região da pinça (parte da frente do casco), chamamos isso de achinelamento, para melhorar o “amortecimento” através das quartelas que são responsáveis para esta atuação, melhorando desta forma também a movimentação dos membros dos animais, dando assim maior beleza no andamento. Devemos alterar no máximo em 3° para mais ou para menos do que é recomendado para cada animal para evitarmos lesões e afecções de boletos e articulações em geral (veja no primeiro parágrafo sobre ferrageamento). Nem sempre um trabalho feito em um cavalo tem um mesmo efeito em outro por terem angulações diferentes.


Podemos sim melhorar o desempenho dos animais com casqueamento ou ferrageamento sempre lembrando que estas alterações logicamente não serão refletidas na produção de filhotes, por isso devemos selecionar sempre os melhores animais dentro dos padrões que pretendemos.

 

Problemas mais freqüentes encontrados nos cascos dos animais

Os defeitos mais freqüentes na forma dos cascos são os talões estreitos (contraídos), talões escorridos (adiantados), parede estreita (com mais freqüência na região do quartos), desbalanceamento médio lateral da pinça ou de todo o casco, casco encastelado (talões excessivamente altos), casco achinelado (pinça excessivamente crescida). 


Não se esqueça:  Antes de começar a corrigir qualquer defeito de aprumo, coloque os cascos na sua condição anatômica ideal, ou seja, eixo ântero-posterior alinhado (ângulo do casco igual ao da paleta) e cascos balanceados (metades iguais).

 


FERRAGEAMENTO

 

Primeiro falaremos das angulações já que estas servem tanto para o casqueamento quanto para o ferrageamento:

 

Em animais de marcha batida e centro os membros anteriores (mãos) trabalham normalmente com 55° podendo variar até 52° já que acima dos 55° a tendência de endurecer os animais de marcha aumenta muito. Nos membros posteriores (pés) a angulação média está em torno dos 60°.

 

Na marcha picada a angulação média dos membros anteriores é de 50 a 52° e nos membros posteriores é de 55° podendo ser até menos já que nesta modalidade tem maior prevalência de animais acurvilhados.
Não é aconselhado mudar a angulação dos cascos mais de 3° para mais ou para menos em qualquer um dos membros.

 

 

FERRAGEAMENTO CORRETIVO
Atualmente para correção de problemas de desnivelamento mais sério nos cascos temos ferraduras com um parafuso nos talões (parte de trás dos cascos) que o ferreiro poderá regular da maneira que achar conveniente e assim corrigir problemas de joelhos abetos ou fechados comuns em animais de marcha, evitando aquele ferrageamento com meia ferradura que era utilizada há tempos atrás e trazia problemas sérios ao animal com o passar do tempo.


Pequenas alterações nas angulações do cavalo de marcha poderão ser terríveis em relação à qualidade da marcha, principalmente nos cascos anteriores. Por isso devemos avaliar muito bem a qualidade e formato dos cascos, desbalanceamento, desvios de aprumos, ângulo de inclinação das quartelas e espáduas, ângulo de inclinação das pernas e dos jarretes além de eventuais deficiências na marcha.

 

 

CORREÇÕES NOS TIPOS DE ANDAMENTO


Na andadura podemos tentar o seguinte:
Ferrar as mãos com ferraduras mais pesadas e os pés com ferraduras mais leves ou até sem ferraduras nos posteriores (pés). A segunda tentativa seria a de deixar os talões (parte de trás dos cascos) maiores lembrando sempre dos 3° limites acima do considerado normal para cada cavalo. O terceiro recurso seria colocar uma corrente nas quartelas das mãos com protetor de mangueira ou de couro para não ferir seu animal. Treinar o animal a passo também ajuda muito para ele encartar na marcha.


Na marcha trotada já é o contrário da andadura, devemos utilizar ferraduras leves nas mãos e pesadas nos pés, podemos também tirar mais cascos nos talões deixando a pinça maior. A terceira opção seria colocar correntes encapadas com mangueira ou couro nas quartelas dos membros posteriores (pés). Descer morros ajuda demais na dissociação dos animais com diagramas mais diagonais.

 

 

FERRADURAS DE ALTO DESEMPENHO

 

As ferraduras de alto desempenho ainda não são rotineiramente utilizadas para cavalos de marcha no Brasil. As tradicionais são as ferraduras de pinça quadrada, que exercem a função básica de proporcionar mais retidão aos deslocamentos, o que se reveste de especial importância nos julgamentos de morfologia, na etapa da avaliação dos aprumos. Também servem para melhorar o estilo da marcha, além de eventuais ganhos na regularidade e desenvolvimento. Outros tipos de ferraduras de alto desempenho são as frisadas, que favorecem a melhor aderência, o que pode ser vantajoso em pistas escorregadias.  Os desenhos de frisos são variados. 

Independente de qual seja o andamento desejável, ferreiros nunca devem esquecer os princípios que fundamentam esta técnica especializada que é o ferrageamento. Alguns destes princípios:

- As ferraduras devem estar em tamanho apropriado para os cascos, proporcionando suporte homogêneo ao redor dos quartos e talões;

- Não pode haver sobras de ferraduras. Estas são como a continuação dos cascos;

- Não se prepara o casco para a ferradura, mas sim a ferradura para o casco; 

- O ângulo do casco não deve variar mais do que três graus em relação ao ângulo natural, sob pena de provocar afecções. Nestes casos, o cavalo precisa se acostumar com a mudança de angulação, que traz estresse imediato sobre os tendões. 


Qualquer artifício tende a representar solução temporária. A solução permanente é selecionar bons marchadores, de cascaria saudável e bem conformada, bem aprumados, de forte constituição ósseo-muscular, submetidos a um manejo profissionalmente conduzido.

 

 

FERRADURAS MAIS APROPRIADAS

 

Devemos utilizar ferraduras com 5 ou 6 furos em cada metade da ferradura para podermos realizar as correções, principalmente em animais chamados de “remadores” (que jogam as mãos para fora ao marcharem). A correção deste problema é bem simples e segue o princípio do pêndulo, a pinça voa para o lado mais pesado do casco, sendo assim para balancearmos o casco devemos colocar mais cravos na parte interna da ferradura, por isso o uso de ferraduras com 6 craveiras é mais indicado.

 

Não deixe, também, de devolver o “vernis” das partes lixadas, após a aparação do casco, usando o Cascotônico.

 

 

 

 

 

 

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